
No Couto Pereira, quem dá as cartas é o Coritiba. Na noite desta quarta-feira, o caldeirão verde fez a diferença, e o time comandado por Marcelo Oliveira é o primeiro finalista da Copa do Brasil. O Coxa não jogou tão bem como no Morumbi mas, no momento em que o São Paulo era melhor, abriu o placar e, a partir daí, tomou conta do jogo. O placar por 2 a 0 garantiu a festa nas arquibancadas e deu ao time nova chance de conquistar o caneco, depois de vê-lo escapar em 2011 na decisão contra o Vasco. O Coxa espera o vencedor do duelo entre Palmeiras e Grêmio, que se enfrentam nesta quinta, em Barueri.
Ao São Paulo, restam apenas lamentações. Sem disputar uma final de campeonato desde 2006, o time, como ocorreu no Campeonato Paulista, sucumbiu mais uma vez no momento de decidir. Suas principais peças, Lucas, Luis Fabiano e Jadson, não funcionaram de novo. Aparantemente, o técnico Emerson Leão segue no comando, já que havia sido garantido no cargo pelo presidente Juvenal Juvêncio independentemente do que acontecesse em campo.
Os dois times voltarão a campo no fim de semana pelo Campeonato Brasileiro. No sábado, o São Paulo enfrentará a Portuguesa, às 18h30m, no estádio do Canindé. No dia seguinte, o Coritiba vai até a Baixada Santista para enfrentar o Santos.

As duas equipes entraram com novidades na escalação. Do lado paranaense, Marcelo Oliveira abriu mão do ferrolho que montou no Morumbi, sacando um volante (Gil) para colocar o meia Rafinha, que voltou ao time após se recuperar de lesão. Além disso, Pereira entrou na zaga na vaga de Demerson. No Tricolor, Leão resolveu reforçar a marcação na lateral, sacando Douglas e colocando o volante Rodrigo Caio. Na defesa ainda, Edson Silva entrou na vaga do suspenso Paulo Miranda.
Se no Morumbi o Coritiba deu as cartas no primeiro tempo, no Couto Pereira foi o São Paulo quem surpreendeu. Com marcação forte no meio-campo e, principalmente, paciência para tocar a bola, o time soube controlar um afoito Coxa, que parecia sentir a responsabilidade. Rafinha buscava as jogadas individuais, mas na hora do passe, faltava um companheiro mais bem qualificado para jogar.
Do lado são-paulino, havia muito espaço para tocar a bola. Jadson e Cícero jogavam soltos no meio. A válvula de escape para o ataque era com Lucas pela direita. O camisa 7, aos 14, fez Lucas Mendes tomar um cartão amarelo. Aos 24, em jogada individual, o são-paulino quase fez um golaço, após se livrar de três marcadores, invadir a área e bater à
esquerda de Vanderlei.
Mas, como o futebol não é lógico, em seu primeiro ataque, o Coritiba abriu o marcador. Após cobrança rápida de escanteio pela esquerda, a marcação tricolor marcou bobeira e Everton Ribeiro cruzou na cabeça de Emerson, que subiu mais alto que Rhodolfo e testou no canto direito de Denis, que só olhou: 1 a 0 no placar e festa no caldeirão verde. Foi o décimo gol do defensor no ano e o vigésimo desde que chegou ao time paranaense.
O São Paulo sentiu o golpe, ficou nervoso em campo e os donos da casa cresceram. Rhodolfo, nervoso após falhar no gol, tomou cartão amarelo por reclamação acintosa e por pouco não foi expulso. Mesmo assim, o Tricolor teve uma chance de ouro aos 34, quando Lucas bateu cruzado e a bola raspou a trave direita de Vanderlei. O Coxa respondeu com dois chutes, um de Everton Costa e outro de Everton Ribeiro, bem defendidos por Denis.

O segundo tempo recomeçou em alta velocidade. Com 1 a 0 a favor, o Coritiba mostrou que queria logo chegar ao segundo gol, placar que lhe daria a classificação. Roberto, em arrancada pela direita, assustou Denis. O São Paulo, que voltou a campo escutando novamente os pedidos de "raça, raça, raça" que vinham das arquibancadas, respondeu logo depois, quando Cícero deixou Luis Fabiano cara a cara com Vanderlei, mas o camisa 9 bateu por cima do gol.
Melhor em campo, o Coritiba chegou ao segundo gol aos 16. Em saída rápida para o contra-ataque, Ayrton avançou nas costas de Cortez e cruzou na medida para Everton Ribeiro que, com 1,74m, subiu mais alto que os grandalhões da zaga tricolor e tocou no canto de Denis: 2 a 0 e desespero do lado são-paulino. Logo depois, em erro de Rodrigo Caio no ataque, o Coxa partiu para um contra-ataque com quatro atacantes contra apenas um defensor tricolor, mas perdeu a chance de matar o jogo.
Leão partiu para o tudo ou nada. Sacou Casemiro e Jadson para colocar Maicon e Fernandinho, passando do esquema 4-4-2 para o 4-3-3. Ao mesmo tempo em que ganhou força ofensiva, o Tricolor passou a deixar os contra-ataques à disposição do Coxa, que no entanto, falhava nos passes. Aos 26, Luis Fabiano cobrou falta e Vanderlei espalmou. Aos 29, o goleiro trabalhou novamente, desta vez em chute cruzado de Lucas.
Percebendo o crescimento do rival, Marcelo Oliveira mexeu, sacando Roberto e colocando Gil para reforçar a marcação. Depois, colocou Lincoln e Rafael Silva nas vagas de Everton Ribeiro e Rafinha. Precisando de um gol para conseguir a classificação, Leão deu sua última cartada, com Willian José na vaga de Cortez. Com isso, Cícero saiu do meio e foi para a lateral. O jogo ganhou em dramaticidade, os dois times tiveram chances, mas, no final, prevaleceu a maior eficiência do Coritiba.
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