sexta-feira, 27 de julho de 2012

Desacreditada, Seleção feminina tenta repetir tradição da masculina‏



A Seleção feminina iniciou a disputa dos Jogos Olímpicos desacreditada, mas estreou com uma goleada por 5 a 0 sobre Camarões. Sem o mesmo favoritismo das últimas temporadas, a equipe capitaneada por Marta tenta repetir a tradição do time masculino, acostumado a vencer em momentos de questiomento.


Na última edição da versão feminina da Copa do Mundo, disputada na Alemanha-2011, o Brasil caiu de forma dramática diante dos Estados Unidos, nos pênaltis. Já a talentosa Marta, ganhadora do prêmio de melhor da temporada de 2006 a 2010, perdeu a hegemonia para a japonesa Homare Sawa.
Apesar de contar com a presença de Marta, a Seleção não teve sucesso nas últimas competições de alto nível que disputou. Na Copa do Mundo da China-2007, o Brasil perdeu a final para Alemanha. Nas Olimpíadas de Pequim-2008 e Atenas-2004, caiu na decisão diante dos Estados Unidos.
Comandante da Seleção Brasileira entre as temporadas de 2008 e 2011, o técnico Kleiton Lima foi sacado para o retorno de Jorge Barcellos, presente nos Jogos de Pequim-2008. À GE.Net, o treinador dispensando falou em um “jogo político” da CBF.
Na medida em que apenas 18 jogadoras formam o grupo brasileiro em Londres, Barcellos precisou de voluntários para completar um treinamento. O técnico, por sinal, procurou aperfeiçoar seu trabalho enquanto esteve afastado da Seleção Brasileira nos Estados Unidos, que também vive uma profunda crise na modalidade.
Fernando Dantas/Gazeta Press
A capitã Marta acredita que a conquista do ouro olímpico em Londres pode alavancar o futebol feminino no Brasil
Sem o prestígio de que já desfrutou, a Seleção feminina procura repetir os feitos logrados pelo time masculino em torneios importantes, como as Copas do Mundo de 1994 e 2002, vencidas pelos técnicos Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari, respectivamente, após momentos de desconfiança.“Cometemos alguns erros no Mundial, não fomos tão bem. Mas a preparação para a Olimpíada foi completamente diferente, foi bem mais intensivo. Na parte física, o grupo todo está muito bem. Então, o foco é bem diferente agora, em busca da medalha de ouro”, disse a atacante Cristiane.
Com o gol marcado diante de Camarões, Cristiane, em sua terceira Olimpíada, assumiu a artilharia histórica do torneio com 11 tentos. A principal ameaça para o posto da jogadora é a companheira Marta, oito gols. Questionada sobre a desconfiança em torno da equipe, a camisa 10 garantiu que jamais se considerou principal candidata ao sonhado título dos Jogos.
“Para nós mesmas, nunca chegamos como favoritas em uma Olimpíada, porque sabemos que tem muitas seleções de alto nível e com capacidade para sair com o título. Estamos focadas no nosso trabalho, isso é o importante. Temos que crescer gradativamente no campeonato”, afirmou.
Fernando Dantas/Gazeta Press
Com 11 gols em três edições dos Jogos Olímpicos, um recorde, a atacante Cristiane aposta na preparação bem feita
No cenário nacional, a situação do futebol feminino é desanimadora. A única competição organizada pela CBF é a insossa Copa do Brasil, disputada de março a junho, e o Santos, que chegou a montar um time feminino, campeão da Copa Libertadores, encerrou as atividades.Para Marta, ex-integrante do time que ficou conhecido como "Sereias da Vila", uma eventual medalha de ouro em Londres pode culminar com a evolução da modalidade no Brasil. “A situação do futebol feminino vem melhorando gradativamente. Temos que fazer o nosso papel aqui para, quem sabe no futuro, essa situação seja bem diferente do que é hoje”, afirmou.
Em mais uma edição dos Jogos no comando da Seleção Brasileira, o técnico Jorge Barcellos tem uma visão semelhante. “Hoje, a nossa realidade é a Olimpíada e vamos pensar nela. Precisamos dar uma resposta às jovens que iniciam a careira”, declarou o treinador.
A Seleção Brasileira forma o Grupo E do torneio feminino dos Jogos Olímpicos de Londres. Depois de estrear com uma vitória fácil diante de Camarões, o time do técnico Jorge Barcellos enfrenta Nova Zelândia, no sábado, e Grã-Bretanha, na terça-feira, sempre no Millenium Stadium, em Cardiff.

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